segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Encontrei-te

Chove torrencialmente e eu a andar sem rumo por um caminho deserto. A chuva queima a minha pele como se fosse ácido. Mas não, é apenas água, tão pura. Gota a gota vou ficando encharcada. Mas é como se não estivesse a chover, não ligo à tempestade e sigo caminho.
Sigo caminho porque, por mais que a chuva queime, por mais que haja tempestade, nada me poderá demover dos meus objectivos, apenas eu me posso parar a mim mesma.
O problema é que me parei. A cabeça prestes a rebentar, o coração está a parar. Tantos dilemas só me trazem problemas. Já não sei quais são os objectivos, já foram vividos? Estou um pouco perdida. À minha volta só existem becos sem saída.
Uma voz cá dentro diz, que há algo que estou a perder, que há sempre volta a dar, mas as forças são muito poucas, é sempre mais fácil desistir do que continuar a lutar. É então que num dos becos há um muro mais pequeno, que provavelmente conseguirei saltar.
Será a solução? Mais um dilema. Saltar ou não? Saltei! Mais um obstáculo ultrapassado. Quando passei para o outro lado vi um mundo completamente diferente. Pessoas e mais pessoas. Já não estou só mas sou invisível, como uma formiga. Ninguém parece reparar sequer em mim e as lágrimas começam a cair.
As coisas parecem estar diferentes, mas iguais. O salto do muro, tornou-me mais forte, mais madura, mas não é por isso que as lágrimas deixam de cair, não é por isso que deixo de sentir dor, mágoa, sofrimento. É aí que vejo, quando decido olhar em redor, alguém que sobressai entre todas as outras pessoas, alguém aparentemente diferente, e que repara em mim, que me olha, como se eu fosse a única que também repara-se nele.
Ambos estávamos molhados, gelados. E a única coisa que fizemos foi caminhar na direcção um do outro. Quando perto chegámos, entreolhámo-nos e abraçámo-nos. Nesse preciso momento e chuva parou e a multidão desapareceu.
Senti os teus lábios gelados da chuva, tocarem ao de leve nos meus, senti o teu perfume e apercebi-me de que me eras muito, muito familiar.
Tinha a certeza de que eras quem queria ver, beijar, tocar, abraçar. As certezas voltaram, os objectivos de novo determinados. As lágrimas continuavam a correr, mas agora eram de alegria. De mãos dadas seguimos o nosso caminho.
Já não estávamos sozinhos, tinhamo-nos um ao outro...

Q & J

4 comentários:

  1. Um texto destes...escrito num dia 14... só podia sair maravilhoso! Uma dupla impacavél...
    Duas pessoas especiais, perdidas vos digo que não estão...apenas a viver o que a vida vos pode oferecer. Quem sabe um dia tudo seja diferente e as formigas comessem a ser "maiores" que os seres humanos e que todos os humanos se venham a dobrar perante elas!
    Lutar para vencer e acreditar SEMPRE!
    Esteja onde estiver vou ver-vos sempre como seres diferentes...mmas sempre no melhor dos sentidos pk vocês é que estão BEM, os outros é que estão mal! Acreditem na vossa capacidade, lutem e não separem, nunca, vossos caminhos...
    Um abraço grande cheio de mimos e muitos beijinhos...
    Ass: PR para o triangulo da paz!
    Adoro vos!

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  2. Grande momento de inspiração e sintonia. Parece escrito por uma só pessoa. Ficou perfeito sabes?
    Beijinhos, adoro-te

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  3. o texto está espectaular apesar dos dois erros que tem, (a)

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  4. Este texto está mesmo perfeito . Uma sintonia incrivel das duas . Está mesmo boa essa história, têm mesmo uma boa imaginação.

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