quarta-feira, 7 de julho de 2010


Nasci gato, felino pequeno, jovem. Não é fácil ser-se gato. Há montes de perigos à espreita.
Naquela noite, caçar era o importante. Depois de me esconder de vários humanos que passaram por mim, entrei por uma rua estreita, que pelo que os meus olhos perceberam ia dar ao nada. Fantástico, o nada era perfeito para quem precisava de caçar.
A vegetação estava um pouco densa, mas depois de entrar nela comecei a habituar-me. Comi dois ratos pequenos, que não chegaram para me tirar o buraco no estômago. Não comia há já vários dias.
Tinha chovido, e facilmente encontrei uma poça de água onde pude deliciar-me por um bom momento; estava fresca e limpa.
Depois vi algo mover-se por entre as sombras da erva alta; permaneci quieto e
à escuta. O barulho que outrora ouvira parou. Então deixei-me estar à vontade. Bebi um pouco mais. Quando finalmente estava satisfeito, virei-me de costas para procurar mais comida.
Pouco mais do que quatro pegadas à frente, estava um gato enorme, sentado e a olhar para mim. Fiquei com medo, apesar de ser jovem, ele era muito mais experiente que eu e certamente teria mais força.
Paralisei e olhei-o. Ele olhou para mim de maneira esquisita, e numa fracção de segundo, como em câmara lenta, vi a pata dele mover-se. Era altura de fugir, ele ia atacar. Então, com um impulso das minhas patas dianteiras, corri para fora do nada, passei a rua estreita e voltei a esconder-me das pessoas.
Se não estivesse tão atento, teria morrido naquela noite.

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