sábado, 21 de agosto de 2010

memories, 6#

Devagar Maria começou a sentir os sentidos voltarem a si.
Quando recuperou totalmente do efeito da droga, encostou-se contra a parede de sua casa, e deixou que o sentimento que nutria se apodera-se da sua mente e do seu corpo. Foi invadida por uma onda de dor, e culpa. Pequenas gotas salgadas começaram a escorrer pelo canto do olho, até que a situação se tornou um tanto incontrolável. Estava com os braços em volta dos joelhos, com a cabeça enterrada entre os mesmos, soluçando. Levantou a cabeça olhando para a rua, que àquela hora estava deserta.
A luz de um candeeiro, fê-la ver algo que brilhava no chão. Saiu da posição que tinha escolhido para estar, e chegou perto da 'coisa brilhante'. Oh meu Deus, não. Era um anel igual ao que Ele lhe tinha dado. E então, tudo na sua cabeça fez sentido. Tinha sido Ele que a drogara. Que quereria Ele? Ela estava intacta.
Levantou-se, e notou que estava ainda um pouco zonza. Esperou que melhora-se, e abriu o portão de sua casa. Abriu a porta, fechou-a e subiu a correr as escadas que davam acesso ao primeiro andar e consequentemente ao seu quarto. Trancou a porta do mesmo, e mandou-se para cima da cama. Os dois sentimentos que nutriu quando estava sentada no chão voltaram a surgir, e novamente as lágrimas voltaram ao rosto de Maria. Decidiu pegar no telefone, e mandar uma mensagem ao namorado, mas acabou por não o fazer; sabia que não o podia por em risco.
E assim ainda a chorar, adormeceu.
Acordou na tarde seguinte com uma mensagem do namorado a desejar bom dia, mas não estava com cabeça para responder, portanto não o fez.
A cabeça dela estava noutro lugar. Pensava no que devia fazer com o novo anel, encontrado na noite anterior. Desta vez não poderia deitá-lo fora, ainda poderia vir a ser-lhe um tanto ou quanto útil.
Tomou um banho demorado, esperando tentar lembrar-se de alguma coisa da noite anterior; mas sem sucesso. Vestiu-se, comeu qualquer coisa e saiu de casa, a pé. A sua casa não ficava muito longe da praia, e decidiu ir até lá. Apanhou um autocarro, pois era mais rápido.
Passeou à beira-mar durante um bom bocado, até que ouviu chamar pelo seu nome. Parou e olhou em redor, até que percebeu ser o seu namorado que a chamava. Esquecera-se dele completamente.
Ele correu na sua direcção, e olhou-a. Viu o aspecto que Maria tinha: olhos inchados, olheiras, e lágrimas secas na pele do rosto. Sentaram-se na areia ainda molhada, com algumas ondas chegando aos seus pés para conversarem um pouco.
Francisco decidiu perguntar o que se tinha passado. Havia alguma coisa que ela escondia, e ele, como namorado e como amigo queria saber de que se tratava o assunto que deixava Maria assim. Mas ela fechava-se em copas e não soltava uma única palavra.
Não podiam continuar e ambos sabiam disso.
Francisco disse-lhe:
- Eu sei que não devo deixar-te, amo-te, não podemos continuar assim amor, eu quero entender o que se passa contigo e tu não és capaz de desabafar comigo.
- Desculpa, também te amo, mas não te posso contar isto, é demasiado perigoso.
- Não posso estar contigo, se não confias em mim, perdoa-me.
Levantou-se da areia, dando um beijo na testa da rapariga e partiu.
Maria ali ficou, olhando o nada, e voltando a deixar as lágrimas cairem.
Ele tinha acabado de estragar um dos poucos motivos que ainda a fazia sorrir, o seu namorado. Que a tinha deixado por ela o proteger.

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