sábado, 14 de agosto de 2010

Quando choras, existe sempre uma razão.

Lembraste dos tempos de criança, quando brincávamos juntos? Lembraste de me veres chorar quando falhava a bola, quando voltava a tentar e a tentar, e não conseguia? Lembraste quando as lágrimas paravam, concentrava a força, e enchia o pé, certeiro na bola? As lágrimas simplesmente desapareciam, e o sorriso preenchia a minha face.
Mas havia muito mais para fazer chorar uma pobre miúda; o pássaro que morreu, uma nota má num teste da escola, uma unha partida, um namoro acabado, uma amizade destruída.
E consegues lembrar-te do que me doía mais, quando consegui chorar ao pé de ti? Foi saber que apesar de estares ali eu nunca poderia retribuir-te o favor. Foi saber que eu não chorava por unhas partidas nem por testes com nota reles; eu chorava por coisas a sério. Mas havia vezes que chorava sem motivo, sem razão aparente, como se, do nada abrissem a torneira do lavatório e deixassem correr infinitamente. E tu, sentado a meu lado, aguardavas pacientemente que as lágrimas parassem de escorrer e que eu te contasse o que se tinha passado desta vez. Mas foi diferente. Respondi-te que não sabia porque motivo estava a chorar, mas que era o que queria fazer, encher o mundo de lágrimas para sentirem a dor que eu sentia, mesmo sem saber a razão que me levava a estar naquele estado de espírito impotente e destruidor.
E tu, ainda te lembras do que me disseste?

- Sabes uma coisa?
Quando choras, existe sempre uma razão.

3 comentários: