sábado, 16 de outubro de 2010

Quando eu tinha dez anos (1o texto para português)

Quando tinha dez anos, passei por uma prova de fogo na minha vida, e foi ela que me transformou naquilo que sou hoje.
Passaram seis longínquos anos. Parece muito tempo mas na minha cabeça diria que foi ontem. Ainda sinto tudo um tanto fresco. Quando as situações nos marcam da maneira que esta me marcou dificilmente se esquece. Apenas tiro uma lição de vida desses tempos. Todas as coisas a que fui sujeita ensinaram-me e ajudaram-me a crescer.
Muitas vezes invejei os miúdos à minha volta. Eles tinham um mundo normal, viviam num mundo onde reinavam as brincadeiras e as preocupações não existiam. Esse não era o mundo em que eu me enquadrava. Esse, não era o meu mundo.
Vendo bem, tive que permanecer em silêncio, fechar-me em copas e tentar proteger-me a mim mesma. Ninguém devia saber ou só tornaria as coisas piores. Um erro, desencadeou uma série enorme de problemas. Como o efeito de uma bola de neve.
Quanto mais eu tentava reparar o que fiz, mais tudo à minha volta escurecia. Sem retorno ou caminho a escolher.
Nada era fácil de resolver, principalmente por não haver ninguém em quem confiasse o suficiente para contar o meu segredo. Deixei de confiar nas pessoas. A situação era tudo menos agradável e o mau ambiente em casa não tardou a ficar também, insuportável.
Os dias eram passados a fingir que estava tudo bem, as noites eram o oposto, deixava as lágrimas correrem, deixava a raiva, o nojo e o sentimento de culpa apoderarem-se de mim. Sentia-me impotente, por deixar o problema arrastar-se sem nunca o conseguir solucionar.
Na escola, apesar dos meus esforços para manter tudo em segredo, fui muitas vezes olhada de lado na escola, a ouvir mais do que as típicas “bocas” e até de alguns encontrões cheguei a ser vítima.
A pouco e pouco as coisas melhoraram. A bola de neve foi regredindo aos poucos, a corda que me sufocava o pescoço deixou-me respirar.
O assunto não ficou resolvido, apenas esquecido por tempo indefinido. A corda foi retirada do meu pescoço e eu senti-me mais livre. Mas nada disso fez com que os danos psicológicos desaparecessem, as feridas ficaram e as marcas delas também. Apesar de já terem passado seis anos, algumas ainda estão abertas e quando lhes tocam, sangram como qualquer ferida a quem lhe é arrancada a crosta. Eu sei que algumas nunca vão sarar completamente.
Às vezes ainda choro, por saber que as cicatrizes ficarão para sempre no meu corpo, e na minha mente.

5 comentários:

  1. très bon!
    quem ajudou quem foi? xD

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  2. oh amor, pelo que conheço de ti, és uma pessoa linda, quer do interior quer do exterior! salta os obstáculos da vida que não mereces e que se encontram no teu caminho, tu és forte, tu consegues * muita força, minha linda <3 gmdt

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  3. Gostei! Mas ao mesmo tempo fez-me um pouco de pena. Mas a vida é mesmo assim, há mazelas que são passam

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