sexta-feira, 25 de março de 2011

''espero que hoje tenhas visto nos meus olhos, a desilusão que foste''

Nunca pensei isso, vindo de ti, nunca.
Realmente as pessoas de quem mais gostamos são aquelas que nos conseguem desiludir de uma maneira absolutamente esmagadora.
Tu, que sempre foste uma amiga verdadeira, com quem partilháva momentos, com quem ia aos concertos, com quem desabafa, com quem me ria, decidiste desiludir-me quando tinhas na mão a decisão de fazer a escolha certa, coisa que não aconteceu.
Eu, que sempre ouvi todos os desabafos, eu, que te levei a Sintra e que estive contigo quando foste conhecer um miúdo, eu, que te vi chorar, te abracei e disse que me eras muito e que só te queria bem, eu, não merecia isso minha amiga.
A coisa passou-se, e já lá vai um mês. E só na quarta-feira me viste, vieste como se nada fosse, como se não se passasse nada, como se falássemos todos os dias do mês anterior, coisa que não aconteceu obviamente. Não achaste estranho não te ter dito mais nada? Não achaste estranho na quarta-feira teres vindo cumprimentar-me e eu ter reagido da maneira como reagi? (nem se pode chamar beijinho áquilo que te dei) Não achaste estranho não te ter dirigido a palavra, olhar-te friamente? Não conseguiste perceber porque é que nem me sentei nos bancos do autocarro onde estavas?
Se não percebeste nada do que fiz, deves ser muito burra, coisa que eu sei que não és. Mas a sério, bastava um pedido de desculpas, um 'eu sei que errei', mas não, tu resumes-te ao silêncio. Se calhar nunca fui a melhor amiga que disseste nunca fui, a Maria que dizias eu ser, se calhar nunca devia ter ido áquele concerto.

Mas ya, espero mesmo que tenhas visto nos meus olhos, a desilusão que foste, e que agora, te sintas culpada. No teu lugar eu sentia-me assim.

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